quarta-feira, 18 de maio de 2016

A verdade.

Luan on

Depois que o enfermeiro aplicou a injeção, Laura não demorou a dormir, e,  como ele havia dito,  ela só acordaria no outro dia.
Fiquei no quarto com ela até tia Sônia chegar desesperada.

- Luanzinho meu filho,como tá a Laura? E o pai da criança,  A menininha meu Deus...

- fica calma tia Sônia, a Laurinha tava nervosa e eu pedi pro enfermeiro sedar ela, a Sofia está sendo operada, mas a situação não é nada boa, disse dessa vez desabando no choro.

-  Eu não entendo por que, se ela não queria se casar, por quê não terminou antes? Eu falei tanto com ela pra desistir enquanto era tempo, mas não, ela deixou a situação chegar nesse ponto, a ponto do Fernando fazer essa loucura...

- tia Sônia, a Laura não tem culpa, o errado foi aquele maldito, ela não podia se casar sem amor...

- eu não sei o que pensar, se essa criança morre e, eu nem sei Luan,  Eu nem sei...

- ela vai ficar bem tia, a cirurgia deve ter terminado, fica aqui com a Laura um pouquinho, não deixa minha menina sozinha, eu vou lá fora saber da Sofia e também ver a questão daquele maldito.

- vai lá menino, eu cuido da minha filha...

Dei um beijo na testa de tia Sônia e fui para o corredor, a procura do pai de Sofia que chorava sem parar, gelei, sem coragem de perguntar como ela estava, mas eu precisava saber.

- A cirurgia acabou? Como ela está?

- A Sofia não vai mais andar cara, por culpa da sua amiga e do meu irmão,  a minha filha vai viver numa cadeira de rodas, você sabe o que é isso? a culpa é dela, a culpa é dela e do Fernando,  a minha filha não merecia passar por isso, não merecia...

- eu,  a Laura não tem culpa,  foi culpa do Fernando, ninguém imaginava, tentei falar até um policial vir em nossa direção pra pegar depoimento.

O pai da pequena estava desolado, pouco conseguia falar, é, ninguém realmente sabia explicar o fato de Laura ter dito não,  o que fez com que Fernando atirasse contra mim e atingisse Sofia.

- o senhor Real mente não tinha nenhum vínculo amoroso com a Sra Laura?

- nós somos amigos de infância, e mesmo que tivesse os não justifica, falei bravo e ele disse que voltaria pela manhã para colher os fatos de Laura, Fernando, já estava preso.

Voltei pro quarto onde minha pequena dormia e disse a tia Sônia que eu fazia questão de cuidar dela aquela noite,  liguei pra minha irmã, que também estava muito assustada e pedi que ela trouxesse uma roupa pra mim, e uma que coubesse em Laura já que as nossas estavam ensanguentadas e Laura ainda se vestia de noiva.

Assim que ela chegou, eu me troquei, e  junto com tua Sônia, ela vestiu Laura que dormia, as duas foram pra minha casa, tia Sônia ficaria por lá até amanhã, e, quando Laura fosse liberada ela teria de voltar pra sua casa em Londrina.

Passei a noite com ela,  que só acordou de madrugada um pouco confusa ainda por tudo que aconteceu.

- Luan,  aí,  minha cabeça,  onde eu estou?

- calma Laurinha, fica calma, você está no hospital, você se lembra?  Eu tô aqui com você tá bem? Você não ficou sozinha em nenhum minuto.

- Luan,  meu Deus, a Sofia, ela tá bem?

- anjo, se acalma,  você tem que ser forte...

- fala logo Luan, como ela tá, por favor...

- Ei, fica calma, disse apertando sua mão,  a Sofia tá descansando, mas, o tiro atingiu a coluna dela, ela não pode mais andar...
Falei e junto com Laura,  chorei até o cansaço nos vencer e pegarmos no sono.

De manhã, fui até o refeitório do hospital e trouxe um café, que com muito custo convenci Laura a comer, e , como havia dito , o policial veio falar com ela.

- Sra Laura, você sabe o que motivou seu marido a atirar em alguém?

- ele não é meu marido.

- vocês estavam se casando não é verdade?

- eu fui obrigada, ela cuspiu as palavras enquanto lágrimas rolavam de seu rosto.

- como assim obrigada, você foi ameaçada,  é isso que quer dizer?

- ele me batia, marcou o casamento, é me obrigou, dizendo que se eu não me casasse, ele preujudicaria a carreira do Luan , ele me obrigou, me bateu,  me humilhou, mas eu precisava me casar com ele, o Luan não podia se prejudicar por minha culpa, contou e nessa hora eu entrei em desespero, Laura tinha passado tudo aquilo por mim, e eu sequer imaginei que ela me amava dessa forma, ali, eu tive a certeza, precisávamos conversar, e  sério...

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